“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.”
Clarice Lispector
Psicóloga · abordagem psicanalítica · atendimento online

Ainda existe amor
ou você só se acostumou?

A pergunta que sempre volta e nunca se resolve, o problema não é falta de certeza. É um conflito que ainda não encontrou palavras, e que nenhuma lista de prós e contras vai resolver.

Agendar uma consulta → Marília Braga · Psicóloga · CRP 06/115713 · agendamento pela plataforma Doctoralia
Marília Braga, psicóloga (CRP 06/115713)
Psicóloga registrada · CRP 06/115713
Atendimento online, em todo o Brasil
Foco em relações amorosas
Sigilo profissional assegurado
Talvez você já tenha pensado isso

E talvez nunca tenha dito nenhuma dessas frases em voz alta.

“Eu gosto dele. Mas não sei se ainda o desejo.”

“Viramos colegas de apartamento: divide conta, divide rotina, não divide mais nada.”

“Coisas pequenas agora me irritam. Antes não incomodavam.”

“Eu quero mais da vida. Ele parece conformado com o que já temos.”

“Não sei mais o que é defeito que dá pra conviver e o que é sinal de que não dá.”

“Sinto falta de sentir alguma coisa intensa. Qualquer coisa.”

“Todo mundo diz que meu relacionamento é ótimo. O problema sou eu?”

“Tenho medo de terminar e jogar fora algo que valia a pena.”

“Tenho medo de ficar e depois descobrir que era pra ter saído.”

Se alguma delas apertou, isso não é frescura, drama nem ingratidão. É um conflito real. E conflito, diferente de defeito, é algo que pode ser pensado.

Marília Braga, psicóloga com abordagem psicanalítica
Quem vai te escutar

Prazer, sou a Marília Braga.

Sou psicóloga com abordagem psicanalítica. Ao longo dos anos de consultório, já acompanhei muitas mulheres que chegam exatamente com essas questões: a sensação de esfriamento, a dúvida entre amor e hábito, a dificuldade de saber o que vale a pena tolerar no outro. É um tema que conheço de perto, na teoria e na prática clínica.

Meu jeito de trabalhar é acolhedor e firme ao mesmo tempo. Recebo a sua história sem pressa e sem julgamento, mas também não te deixo confortável demais nos lugares que já não te servem. Não vou te dizer o que fazer, nem te dar conselho de revista.

O que ofereço é um espaço onde você pode pensar sem ser julgada, aconselhada ou apressada. Porque, muitas vezes, o sofrimento não está em amar demais: está em ter aprendido que amar exigia abrir mão de si mesma.

Também sou escritora: autora do livro A mochila do autoconhecimento, onde reúno reflexões sobre os padrões que carregamos e repetimos sem perceber.

“Amar… não para fugir de si mesma, mas para se encontrar.” Simone de Beauvoir · O Segundo Sexo
Psicóloga · CRP 06/115713 Abordagem psicanalítica Atendimento online em todo o Brasil Autora de "A mochila do autoconhecimento"
◷

Sessões de 50 minutos

Um horário semanal reservado para você, combinado de acordo com a sua rotina, de qualquer cidade do Brasil.

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Online, com qualidade

Videochamada com áudio e imagem nítidos. A conversa flui como se estivéssemos na mesma sala, e você fica no seu próprio espaço.

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Sigiloso e sem preparo

Você não precisa chegar com nada organizado. A primeira sessão serve para você falar e para percebermos juntas se faz sentido seguir.

Por que a dúvida sempre volta

Você não está procurando no lugar errado. Está procurando na camada errada.

Você já fez a lista de prós e contras. Já conversou com as amigas. Já tentou conversar com ele, já tentou não pensar, já pesquisou sobre relacionamento na madrugada. E a dúvida sempre volta, porque ela não está sendo resolvida no lugar onde é produzida.

O que aparece é o sintoma: o esfriamento, a irritação com o jeito dele, a comparação com outras vidas, a sensação incômoda de estar perdendo tempo. É o que incomoda todo dia e o que você tenta administrar sozinha.

O que sustenta é outra coisa. Debaixo da queixa sobre ele quase sempre há algo sobre você: o que você aprendeu, muito cedo, a esperar do amor. O que se permite desejar sem culpa. O que teme se tornar caso escolha errado. São padrões formados muito antes desse relacionamento e que seguem escolhendo por você, sem passar pela sua consciência.

Tratar o sintoma alivia por uma semana. Entender a causa muda a pergunta.

É esse o trabalho da análise. Não é decidir por você se fica ou se sai. Ninguém pode fazer isso, e desconfie de quem se ofereça. É sustentar um espaço onde a pergunta possa mudar: de “o que eu faço com ele?” para “o que eu quero, e por que ficou tão difícil saber?”. Quando a segunda encontra resposta, a primeira costuma deixar de ser um impasse.

O que pesa hojeO que pode ir se abrindo
Não saber se é amor ou hábito
→
Reconhecer o que ainda te liga a ele e o que já não liga
Se irritar com tudo e não saber por quê
→
Entender o que a irritação está tentando dizer
Sentir que sonha sozinha
→
Sustentar o que você quer, sem depender de ele querer junto
Não saber o que tolerar
→
Distinguir diferença de incompatibilidade
Ficar por medo ou sair por impulso
→
Escolher a partir do desejo, não do medo

Não é fórmula nem promessa de resultado. Cada história é única, e o que se transforma na análise varia de pessoa para pessoa. O que está acima são caminhos que costumam se abrir quando alguém se escuta a sério.

Antes de marcar

O que costuma travar na hora de decidir.

Preciso saber se quero continuar no relacionamento? +
Não. A maior parte das pessoas procura análise justamente porque não sabe. A dúvida é o ponto de partida do trabalho, não um pré-requisito para começar.
Isso é terapia de casal? +
Não. O atendimento é individual. O foco é você, inclusive quando o assunto da sessão é ele. Seu parceiro não precisa participar nem concordar com o processo.
E se eu perceber que quero terminar? +
A análise não empurra para nenhuma direção. Algumas pessoas seguem com o relacionamento transformado, outras chegam à conclusão de que precisam de outro caminho. O que se trabalha aqui é a sua capacidade de escolher, não a escolha.
Funciona mesmo sendo online? +
O vínculo terapêutico não depende de estar na mesma sala: depende de escuta, presença e continuidade. Com áudio e vídeo de qualidade, a sessão flui naturalmente, com a vantagem de você estar no seu próprio espaço seguro.
Quanto tempo dura o processo? +
Não existe prazo fixo, e desconfie de quem promete um. A psicanálise não trabalha com número de sessões definido de antemão, porque o tempo varia conforme o que aparece no percurso de cada pessoa.
Você atende em qualquer cidade do Brasil? +
Sim. O atendimento é online, por vídeo, e alcança qualquer cidade do Brasil. A agenda segue o horário de Brasília (UTC-3). Combinamos um horário que caiba na sua rotina, e ele fica reservado para você toda semana.

Ficou alguma dúvida que essas respostas não cobriram?

Textos da Marília

Reflexões para pensar entre uma sessão e outra.

De tempos em tempos, escrevo sobre os temas que mais atravessam o consultório. São textos livres, sem resposta pronta (um convite a pensar junto).

Como saber se um relacionamento chegou ao fim?

Talvez a primeira coisa a dizer seja que a pergunta já é um indicador. Quem pergunta "será que acabou?" já está em outro lugar, não necessariamente no lugar do fim, mas no lugar da dúvida...

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Talvez a primeira coisa a dizer seja que a pergunta já é um indicador. Quem pergunta "será que acabou?" já está em outro lugar. Não necessariamente no lugar do fim, mas no lugar da dúvida. Algo se moveu. Algo que antes era evidente, respirável, dado, agora pede exame. E o exame, sabemos, cansa. Ninguém examina o que está vivo e pulsando; a gente examina o que dói, o que rachou, o que parou de responder.

Se você está se fazendo essa pergunta, você não está louca, não está exagerando, não está "criando problema". Você está escutando alguma coisa. A questão é o quê.

O fim não é um evento, é um processo.

Gostamos de pensar o fim como uma data, uma cena, uma frase definitiva. Mas os relacionamentos raramente terminam assim. Eles vão terminando. Vão se esvaziando de investimento, de curiosidade, de futuro. E aqui vale uma distinção importante: não confundir o fim de uma forma de amor com o fim do amor.

Todo relacionamento longo atravessa mortes sucessivas. Morre o encantamento inicial e, ainda bem, porque ninguém sustenta aquela febre por décadas. Morre uma certa imagem que fizemos do outro, aquela projeção deliciosa e mentirosa dos primeiros tempos. Morre a fantasia de completude, a ilusão de que o outro viria tapar nosso buraco fundamental. Essas mortes são condições do amor mais maduro: amar o outro naquilo que ele é, e não naquilo que inventamos que ele fosse.

Talvez, a pergunta não seja "acabou?", mas: "o que acabou?" Acabou uma fase, uma forma, um pacto antigo que precisa ser renegociado? Ou acabou a possibilidade de desejar junto?

Alguns sinais (não regras)

Desconfie de quem lhe oferece uma lista de dez sinais de que seu relacionamento acabou. O inconsciente não lê listas. Mas há perguntas que podem funcionar como lanternas.

Há ainda curiosidade? Não pergunto se há paixão, se há sexo toda semana, se há borboletas. Pergunto algo mais discreto e mais decisivo: você ainda quer saber o que o outro pensa? Ainda se surpreende com ele, ainda que raramente? Ou o outro se tornou inteiramente previsível, um texto já lido, do qual você conhece cada parágrafo? Quando o outro vira paisagem repetida, algo grave aconteceu com o desejo.

Há futuro no discurso? Casais vivos conjugam verbos no futuro, mesmo brigando: "quando a gente viajar", "no ano que vem", "quando envelhecermos". Quando o futuro desaparece das frases e resta só o presente administrativo (contas, logística, filhos, agenda), ou pior, só o passado ("a gente era", "no começo você fazia"), o tempo do casal pode estar dizendo algo que a boca ainda não disse.

O conflito ainda existe? Brigar é sinal de vida. Brigar é ainda esperar algo do outro, ainda se importar o bastante para se decepcionar.

O sinal mais inquietante não é o conflito, mas a indiferença. Quando não vale mais a pena nem brigar, quando a presença do outro não afeta mais nem para o bem nem para o mal, o laço pode estar se desfazendo em silêncio.

Talvez a pergunta mais importante seja: quem você é ao lado dessa pessoa? Todo relacionamento nos convoca a uma certa versão de nós mesmos. Há laços que nos expandem e laços que nos encolhem. Você gosta de quem você se tornou nessa relação? Ou percebe que vem se editando, se calando, se diminuindo para caber?

Um relacionamento que exige seu desaparecimento como preço da permanência já respondeu à sua pergunta, só falta você conseguir escutar.

O medo que se disfarça de amor

É preciso ter coragem para uma pergunta desconfortável: o que me mantém aqui é amor ou é medo? Medo da solidão, medo do fracasso ("investi tantos anos"), medo do olhar dos outros, medo de descobrir quem você é fora desse laço.

E há também o inverso, que precisa ser dito com o mesmo cuidado: às vezes o impulso de terminar não é escuta do desejo, é fuga. Fuga do trabalho que todo amor duradouro exige, fuga da frustração inevitável de que o outro nunca será tudo, fantasia de que existe em algum lugar um par que não decepciona. Não existe. Todo outro decepciona, porque todo outro é outro. A questão é distinguir a decepção estrutural (com a qual se aprende a viver, e que até enriquece) da decepção que corrói, que adoece, que empobrece a vida.

Não há resposta pronta, e isso é uma boa notícia

Ninguém pode responder por você. Nem a analista, nem a amiga, nem o teste da revista, nem este texto. E isso, que parece cruel, é na verdade libertador: significa que a resposta é sua, que ela virá da sua escuta, no seu tempo.

O que se pode fazer, enquanto a resposta não vem, é criar condições de escuta. Falar. Escrever. Analisar-se, se possível. Observar o próprio corpo, que costuma saber antes: o aperto no peito ao ouvir a chave na porta, o alívio quando o outro viaja, ou, ao contrário, a saudade genuína que insiste.

E talvez, se ainda for possível, fazer a pergunta a dois. Porque há uma diferença enorme entre um relacionamento que acabou e um relacionamento que ninguém está cuidando. Existem laços que não morreram, foram abandonados vivos, à míngua de atenção, e podem ser reanimados se dois desejos se dispuserem ao trabalho. Outros, mesmo cuidados até o limite, ainda assim se esgotam. E o esgotamento honesto de um laço não é fracasso: é o reconhecimento de que aquele amor cumpriu o que tinha a cumprir. Há relações que terminam bem justamente porque terminam antes de virarem ressentimento, antes de destruírem o que construíram.

Se um dia você concluir que acabou, saiba que terminar não apaga o que foi vivido. O amor que existiu, existiu.

Ele fica inscrito em você, na mulher que você se tornou, no que aprendeu sobre desejar e ser desejada, até nas cicatrizes, que são também um saber. E se concluir que não acabou, que há ainda desejo debaixo do cansaço, então o convite é outro: reinventar o laço, porque nenhum amor sobrevive na forma em que nasceu.

Em ambos os casos, a bússola é a mesma: o seu desejo genuíno. Escutá-lo, ainda que ele diga o que você preferia não ouvir. É dele que deve vir a resposta, e não do medo, não da culpa, não da opinião alheia.

Marília Braga · Psicóloga · CRP 06/115713

Toque quantas vezes quiser

Como manter uma relação saudável e duradoura?

A própria pergunta já me chama a atenção. "Manter". Como se o amor fosse um objeto e como se durar fosse uma questão de manutenção, de técnica, de fazer as coisas certas na ordem certa...

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A própria pergunta já me chama a atenção. "Manter". Como se o amor fosse um objeto e como se durar fosse uma questão de manutenção, de técnica, de fazer as coisas certas na ordem certa.

Mas o que a gente chama de amor?

Quando alguém me pergunta como fazer uma relação durar, quase sempre existe uma outra pergunta escondida ali: "por que as minhas não duram?" Ou: "por que a minha dura, mas dói?" Ou ainda: por que eu escolho sempre o mesmo, com outro rosto, outro nome e acabo sempre no mesmo lugar?

Essa pergunta escondida é mais interessante do que a primeira. Porque ela não fala do outro. Ela fala de você.

Freud percebeu algo curioso: a gente repete. Repete cenas, repete escolhas, repete dores e repete justamente aquilo que não conseguimos lembrar, aquilo que não foi elaborado, dito, chorado, pensado. O que não vira palavra, vira sintoma. A gente jura que dessa vez vai ser diferente, e o inconsciente vai lá e escolhe de novo. Não por burrice, mas por fidelidade. Uma fidelidade estranha a uma história antiga, anterior a qualquer namorado, anterior até à adolescência. Uma história que começou em casa, no modo como fomos amadas, ou no modo como esperamos ser amadas e não fomos.

Então, antes de perguntar como manter uma relação, talvez valha perguntar: que relação eu venho mantendo comigo mesma? Que história eu venho repetindo sem saber que repito?

A fantasia da metade

A gente cresceu vendo contos de fadas, ouvindo que existe alguém que nos completa. E quando não encontramos esse amor perfeito, nos sentimos culpadas, fracassadas e não merecedoras.

Essa ideia de "alma gêmea" é bonita e cruel porque promete o impossível: que um dia a falta vai fechar, que um dia não vai mais faltar nada.

Só que a falta não fecha. E que bom que não fecha, porque é dela que nasce o desejo. Um casal que se completasse de verdade não teria mais nada a dizer um ao outro. Não haveria pergunta, curiosidade, surpresa.

Uma relação viva não é aquela em que dois viram um. É aquela em que dois continuam sendo dois e suportam isso. Suportam que o outro seja outro, pense diferente, deseje coisas que não nos incluem, tenha um mundo interno onde a gente não entra. Amar, nesse sentido, é receber o estrangeiro que o outro sempre será, sem exigir que ele fale a nossa língua o tempo inteiro.

Durar não é mérito

Preciso dizer uma coisa que talvez incomode: durar, por si só, não é sinal de saúde. Há relações que duram décadas sustentadas pelo medo. Medo da solidão, medo do julgamento, medo de recomeçar aos quarenta, aos cinquenta, em outra cidade, em outra vida. E há relações curtas que foram profundamente vivas. O tempo cronológico não mede o amor. O que mede (se é que algo mede) é outra coisa: nessa relação, eu fico maior ou menor? Eu me escuto mais ou me calo mais? Meu mundo se abre ou se estreita?

Uma relação saudável não é uma relação sem conflito. É uma relação em que o conflito pode existir sem virar catástrofe. Onde dá para brigar sem aniquilar, discordar sem abandonar, ter raiva sem deixar de amar. Onde a palavra circula, inclusive a palavra difícil, a que trava na garganta.

E aqui vai um "quase-conselho" que me permito: desconfie das relações em que você não pode falar. Não porque o outro proíba explicitamente, mas porque algo em você já aprendeu a se editar antes de abrir a boca. Esse silêncio tem história. E histórias, quando ficam mudas por tempo demais, cobram caro.

O convite

Então, como manter uma relação saudável e duradoura? Eu não sei. Ninguém sabe. E quem disser que sabe, está vendendo alguma coisa.

O que eu sei é que a pergunta mais fértil quase nunca é sobre o outro. É sobre o que em nós escolhe, repete, silencia, espera, teme. É sobre a nossa história de amor mais antiga: aquela que começou antes de todos os amores e que segue delineando todos os outros.

Essas perguntas raramente se respondem sozinhas. Elas pedem tempo, pedem palavra, pedem uma escuta que não julga nem apressa. Há coisas que só conseguimos pensar quando alguém nos escuta pensar. Falar em voz alta o que sempre foi mudo, às vezes muda tudo.

Talvez o amor duradouro não seja aquele que a gente precisa se preocupar em manter, mas aquele que a gente constrói todos os dias, com outro que nunca vai ser exatamente o que a gente sonhou, e ainda bem.

Mas para construir com o outro, antes é preciso conhecer o próprio terreno. Saber onde ele cede, onde ele endurece, o que está enterrado ali. Esse terreno é você. E ele merece ser escutado.

Marília Braga · Psicóloga · CRP 06/115713

Toque quantas vezes quiser

Por que terapia individual, e não terapia de casal, ajuda a decidir sobre um relacionamento

Há uma confusão comum, que costuma levar as pessoas até o consultório errado. Quando o relacionamento quebra, o instinto é pensar: "precisamos de ajuda, então vamos os dois". Faz sentido...

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Há uma confusão comum, que costuma levar as pessoas até o consultório errado. Quando o relacionamento quebra, o instinto é pensar: "precisamos de ajuda, então vamos os dois". Faz sentido. Se o problema é entre duas pessoas, por que não tratar as duas juntas?

Mas há uma pergunta que a terapia de casal não faz, e que talvez seja exatamente a sua: "eu quero ficar?"

Duas perguntas diferentes, dois espaços diferentes

A terapia de casal existe para melhorar a relação entre duas pessoas que já decidiram, ainda que provisoriamente, seguir juntas. É um trabalho de comunicação, de repertório compartilhado, de reconstrução de confiança. Pressupõe um "nós" que ainda quer se sustentar como projeto.

Mas quando a pergunta é anterior a isso, quando o que está em jogo não é como melhorar, mas se quero continuar, colocar as duas pessoas na mesma sala pode até atrapalhar. Porque diante do outro, você se ouve pouco, cuida da imagem, mede o efeito de cada frase, protege o parceiro do que dói, ou ataca para não parecer fraca. O espaço a dois convoca uma versão que negocia a permanência. Não convoca a mulher pensando sozinha sobre o que ela quer.

A terapia individual é o único lugar em que essa pergunta pode ser feita sem que ninguém mais precise ouvir a resposta antes de ela estar pronta.

Só depois, com tempo, a resposta vai se formando, em voz baixa, e aí sim pode ser dita a quem precisa ouvi-la.

O parceiro que não está na sala continua presente

Na terapia individual, o parceiro não desaparece do assunto. Ele está presente o tempo todo, na fala, nas lembranças, nas cenas que se repetem. A diferença é que ele aparece não como réu que precisa se explicar, mas como personagem de uma história que é sua, e que revela mais sobre você do que sobre ele.

E nesse processo, você se depara com questões que talvez nunca tenha parado para pensar. O que você aprendeu a esperar do amor? O que você teme, se ficar sozinha? O que você repete, sem saber que repete, desde muito antes desse relacionamento existir? Nada disso se resolve olhando para o casal. Resolve-se, ou melhor, começa a se mover, olhando para dentro.

Ninguém decide por você, nem a dois, nem sozinha

É preciso desfazer uma fantasia recorrente: a de que a terapia, individual ou de casal, vai produzir um veredito. "Fica" ou "sai". Não produz, e desconfie de quem prometer isso.

E aqui um quase-conselho, dito com cuidado: se você está em dúvida sobre ficar ou sair, talvez o primeiro passo não seja sentar com ele para "resolver o casamento". Talvez seja sentar sozinha, com alguém que só escute você, para descobrir o que, exatamente, está em dúvida.

Só depois de saber isso fica claro se há trabalho de casal a fazer, ou se a questão é outra, e é sua.

O conforto que não é promessa

Não tenho uma fórmula para te entregar aqui, e seria desonesto fingir que tenho. O que posso te dizer é que a angústia de não saber o que fazer com um relacionamento não é sinal de fraqueza nem de indecisão patológica. É sinal de que uma parte sua está, enfim, prestando atenção.

Talvez o alívio que você procura não venha de alguém te dizendo o que fazer, venha de alguém te ajudando a ouvir o que você já sabe, mas ainda não conseguiu escutar.

Esse trabalho é seu, mas não precisa ser feito sozinha.

Marília Braga · Psicóloga · CRP 06/115713

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E se eu estiver esperando ele mudar?

"Ele vai mudar." Você já disse essa frase para uma amiga ou ficou calada, pensando nela sozinha, enquanto ele dormia ao seu lado. É uma frase que sustenta muita coisa...

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"Ele vai mudar." Você já disse essa frase para uma amiga ou ficou calada, pensando nela sozinha, enquanto ele dormia ao seu lado. É uma frase que sustenta muita coisa: mais uma briga engolida, mais um mês adiado, mais uma vontade de sair que você guarda na gaveta.

Essa esperança é real. O problema é que ela pode significar duas coisas bem diferentes, e nem sempre dá para saber qual: pode ser fé de verdade em alguém que está, aos poucos, mudando. Ou pode ser a forma mais gentil que você encontrou de dizer "não aguento mais, mas também não sei sair".

A diferença entre esperar e apostar

Existe uma esperança que aposta no vínculo: duas pessoas em movimento, cada uma fazendo sua parte, o casal se transformando junto. E existe uma espera que aposta sozinha: você trabalhando, se ajustando, se conformando, na expectativa de que, um dia, o outro alcance o que você já fez.

Pessoas mudam, isso é fato. Mas há uma pergunta que costuma valer mais a pena do que "ele pode mudar?": "o que eu evito enfrentar, enquanto espero ele mudar?"

Há uma distância enorme entre desejar que o outro cresça e precisar que ele cresça para que a sua própria vida possa, enfim, começar.

O tempo como sintoma

Há uma mudança que é crescimento: a pessoa amadurece, se transforma ao longo da vida, isso é natural e não se promete, acontece. E há uma mudança específica, prometida: "vou parar de beber", "vou te dar mais atenção", "vou me desenvolver profissionalmente". É dessa segunda que estamos falando aqui, e vale perguntar: há quanto tempo você espera exatamente por ela?

Esse tempo funciona como um sintoma. Quando uma promessa se estende indefinidamente, sem sinais concretos, algo se desloca: a espera para de dizer respeito a ele e passa a cumprir uma função em você.

Talvez o que te mantém na espera não seja a confiança na mudança dele, mas o medo do que aconteceria se você parasse de esperar.

De quem é essa mudança, afinal?

A clínica ensina algo difícil de escutar: ninguém deseja pelo outro. Toda mudança real nasce de um desejo que pertence a quem muda. Você pode nomear o que a incomoda, pedir, se afastar até que ele perceba. O trabalho psíquico só cabe a ele. Enquanto isso, sua vida precisa seguir acontecendo, com ou sem essa espera.

Não há como saber, de fora, se ele vai mudar, nem quanto tempo vale a pena esperar. O que se pode fazer é olhar com honestidade para o que essa espera está custando, e para aquilo que ela talvez esteja protegendo você de enxergar.

Esperar tem seu lugar, seu valor, sua dignidade.

O que costuma pesar de verdade é sustentar essa espera sem saber, ao certo, o que se está esperando.

Marília Braga · Psicóloga · CRP 06/115713

Toque quantas vezes quiser

Novos textos são publicados aqui de tempos em tempos. Se algo neste te tocou, talvez valha a pena conversar sobre isso com calma.

Quando você sentir que é hora

Você não precisa chegar com a decisão pronta.

Só com a vontade de entender o que está acontecendo. O resto se constrói na conversa. Podemos começar com um primeiro encontro, para sentir se faz sentido seguir.

Para preservar a profundidade do cuidado, atendo um número limitado de pacientes.

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